6 de março de 2008

Não Poderia Ser Diferente

Não poderia ser diferente
Claro que há citações em cada linha
Em cada verso
No todo e na parte
No que se vê declarado e no que se esconde
No que se deseja
No que se confunde
Na dor da ausência
Na presença velada
No não querer mais
E querer sempre mais
Não saber se é possível
Ter o certo como improvável
Não ter o abraço
Temer o aconchego e o conforto
Não poderia ser diferente
Há o seu nome onde quer que se vá
E as letras compõem essa sinfonia sem graça
E não há prazer nas notas
E há apenas confusão
Sentimentos tortos
Um adeus que nunca houve
Mas que reverbera
E já não se sabe mais o que se faça

(Foto: deviantart.com)

7 comentários:

Alice disse...

Poesia sempre. Lembro de quando era criança e lia livros de poesia na casa da minha madrinha - ainda em São Paulo. Eu não entendia as toneladas de rima e tanta discordância. Hoje vivo disso ou tento. Me satisfaço mais com poesia do que com festas e respostas coloridas. E você faz poesia e completa bem o dia.

E concordo...

"Há citações em cada linha
Em cada verso"

(João Neto)

O mais engraçado de tudo é que o poeta empresta uma verdade ao mundo e o mundo a refaz. Embora diferente, verdades sempre existirão.

Ella disse...

Oi João,
Para um troglossexual até que suas poesias são bem delicadas!rs...
Brincadeiras à parte, a produção literal está extraordinária por aqui.
Bjs

Zélia Palmeira disse...

"Claro que há citações em cada linha
Em cada verso
No todo e na parte
No que se vê declarado e no que se esconde..."

João Neto

Isso é o que vale do que está escrito.Acabei de dizer,na Biblioteca Cósmica, que nada nos passa despercebido.Encontramos logo um nome,um endereço e uma direção para o que está escrito.Toda poesia só se completa se encontro nela o meu sentido.Já estou nessas linhas e "não poderia ser diferente"!Que a nossa primeira oração diária seja sempre um poema...

João Neto disse...

Ella,

Os brutos também amam...

KKKKKK!

Mattoso disse...

E não poderia ser diferente mesmo, os sentimentos são sempre tortos até o momento que conseguimos compreender com a consciência e transformá-los em poesia.

Luci disse...

"Um adeus que nunca houve
Mas que reverbera".

O que nao acaba, esse sim nao deu certo. Esse sim mata aos poucos. Acaba sem fechar o ciclo. Um vazio se acomoda. A vida desdenha...
E nao poderia ser diferente mesmo.

Gostei daqui, vou voltar. E agradeço a Matoso pela visita ao meu espaço e pelas palavras. Obrigada, Volte sempre!!!

Germano V. Xavier disse...

E sempre haverá de ser e de existir um fio fino de uma teia-cadeia que nos prenderá algemas de se não-ser e ser sendo não-sendo, em prestatividade de vôos ainda não voados...

Belo poema, João!
Um grande abraço...

Germano