8 de março de 2008

Don't Let Me Down (Ou Manifesto Pró-Metrossexualismo)


Existem muitas formas com as quais os homens se relacionam com a beleza. No passado as pinturas rupestres, as relações animistas com a natureza eram o pano de fundo para que nós expressássemos as nossas noções de beleza, tomados de admiração por um mundo ainda tão belo e vasto. Prosseguindo até a antigüidade observamos o quanto nossos antepassados valorizavam o cuidado com a beleza pessoal. No período da Grécia clássica as representações pictóricas davam não só a exata dimensão do que seria belo, mas acima de tudo determinavam o que poderia ser considerado belo. A relação do cristianismo com a beleza nem sempre foi muito clara, porém é inegável a contribuição da inspiração religiosa para as artes, e também para a própria beleza (enquanto simples representação de um modelo idealizado), já que na concepção do modo de vida das pessoas leigas os preceitos de como se vestir, ou de como se relacionar com o corpo eram preocupações da igreja expressa em várias doutrinações à época. Na modernidade o culto a personalidade tomou uma dimensão ainda mais relevante, o que tornou a busca por um cuidado pessoal característica dos grandes personagens da época, vide o caso do senhor Bonaparte como exemplo, ele que tinha o cuidado de nunca se apresentar sem estar devidamente paramentado com suas imponentes vestes, que eram um acinte a tradicional vida nobre até então levada na Europa.
Na atualidade o cuidado com a beleza pessoal tomou proporções infinitamente maiores do que nas épocas anteriores, pois a rapidez nas comunicações acelerou o acesso as informações, e os processos produtivos massificaram as novas tendências entre todas as camadas da sociedade. Fruto disto , desembarca em nossos dias atuais , a forte preocupação masculina com a aparência pessoal. A este fenômeno social tem-se atribuído várias denominações e rótulos, pejorativos ou não. No entanto é inegável que o processo atual é possivelmente irreverssível, a despeito das muitas tentativas de grupos masculinos para que a situação retroceda até o limite razoavelmente controlável, onde os nivéis de testosterona permaneçam garantidos pelo zelo com a manutenção da imagem do macho forte e dominador. Imagem esta que já não passa de uma tosca lembrança dos tempos no qual o mundo era ainda jovem e vasto. Digo isto porque basta olharmos os aficcionados do modelo Troglossexual para que neles encontremos rapidamente detalhes reveladores de suas reais relações com a aparência pessoal, devidamente camuflados por um ar meio que perdido em retóricas disfarçadas de opiniões próprias.
Bem mas o que eu quero apresentar aqui neste espaço é simplesmente o meu apoio ao que não pode ser modificado por homem algum, e que é justamente (parafraseando um dos últimos baluartes da troglossexualidade, o Sr. Juvenal Antena) a metrossexualidade adiquirida (parafraseando o grande compositor cearense Falcão). Onde ser cuidadoso com a aparência é fator de sucesso, onde a busca por uma nova cosmética determina as suas possibilidades, e principalmente por este novo modo de se relacionar com a beleza influir diretamente na criação de uma consciência mais sensível, e ao mesmo tempo racional, de que os homens podem e devem ter um maior cuidado com a aparência sem que isso implique necessariamente em um comportamento homossexual, ou coisa parecida. Então convido ao reposicionamento ideológico os idealizadores deste conceito equivocado que é a troglossexualidade. Peço veementemente que se abra o espaço para uma agenda de discussões sobre os benefícios da depilação, da manutenção ostensiva dos níveis de gordura no corpo, dos programas de embelezamento patrocinados pela nossa pujante indústria da beleza (símbolo máximo do nosso futuro que já chegou). A pena para aqueles que não agirem desta forma razoável será a inexorável marginalização dos espaços troglossexuais, a perda dos direitos a uma vida cercada de cremes e produtos anti-envelhecimento, ou o que é pior, a uma eterna dúvida existencial: "Devo, ou não, ir pro Peeling?".

3 comentários:

Zélia Palmeira disse...

kkkkkkkkkkkkkkkk
Falou e disse,Zé!Nenhum metrossexual merece viver nessa terrível dúvida de se deve fazer um peeling ou não.Mas eu acredito que isso vá passar e os metrossexuais deverão aceitar melhor essas questões relativas ao cuidado com o corpo.Principalmente aos cuidados que se referem a saúde.Quem sabe eles não estão provando do próprio veneno e passando pelo mesmo tipo de tensão que passamos nós mulheres quando da decisão entre sair ou permanecer em casa cuidando de comida,roupa,filhos...enquanto o marido vai para o trablho e à farra ? Hehehehehe!

Alice disse...

Zé Ricardo,

Você foi histórico, democrático e inteligente ao escrever esse texto. Me senti lendo um artigo dessas revistas escritas para um público mais cult. Desde a antigüidade aos nossos belos dias de opiniões diversas, você ressaltou tudo - cada ponto que não deve ser esquecido sobre "o ser quem somos" e ainda terminou de forma divertida, mostrando que respeita mudanças, comportamentos e esteriótipos. O texto mostra que você conhece o mundo e como um homem de visão, sabe que nem tudo é questão de mulheres serem Jane e os homens, um bando de tarzans. Somos seres que se completam e que, mesmo sendo um tanto curtos em nossas opiniões, devemos conviver e aceitar. Sem julgamentos - essa é a atitude mais sensata e racional.

Perfeito, Zé.
E volte sempre com as suas idéias.

João Neto disse...

Caro amigo metrossexual,

Antes de mais nada quero dizer que respeito o seu ponto de vista e a sua opção sexual. Nunca me incomodaram as suas limpezas de pele, suas camisas rosa, ou mesmo aquela terrível mania de usar maquiagem para disfaçar pequenas imperfeições na pele. Só realmente me senti um pouco incomodado quando você, muito educadamente, devo dizer, me cortejou. E digo ainda mais, use e abuse de peelings, massagens linfáticas, lipos e outros processos de manutenção de sua beleza e no caminho VAI SE %##@%&, SEU ##@&%@!!!! E vou continuar morando em minha caverna!

Tenho dito!

(Ps.: KKKKKKKKKKKKKKKKKKKK!!! Só existe você, o resto é piada sem graça!!!!)