18 de março de 2008

Carteado Sem Vencedor

Foto por John Lobster - deviantart.com


Breve como um suspiro e tão intenso quanto
Pousou em meu ombro como raio de sol em dia sem nuvem
Foi-se com as sombras fugidias do dia que não teve sol
Deixou-me a chuva como companhia
Cigarros como amigos e o álcool como sândalo para os meus pés
Pensou demais, pesou demais, teve medo e não quis pagar para ver
Sintonizou outras estações
Não esperou a banda tocar
Não deu ouvidos ao locutor
Fez, do pé firme, o resumo das suas teimosias
Das suas teorias que tentam explicar o mundo que não tem pé, e nem cabeça
E nem braços, ou abraços
São percalços que a distância manda
São recados que ouvimos dos olhares que nos julgam
É o carteado sem vencedor
Baralho viciado, marcado, amassado e sem graça
Perdemos nós e não há mais fichas para entrar no jogo
Ganhou a banca
Passa a régua
Fecha a conta
Vamos à próxima mesa...

4 comentários:

Luci disse...

E começa um novo jogo, sem cartas marcadas, com novas apostas, novos jogadores. Quem sabe, regras mais flexíveis... Quem sabe sem regras. Um jogo de liberdade... Será que dá certo?

Mattoso disse...

Há pessoas que acreditam em cartas marcadas, outras acreditam fazer seu próprio jogo. Mas a regra é simples: a cada fim de jogo um novo começo. Então, vamos aproveitar as oportunidades!

Alice disse...

Isso me lembrou de um filme que assiti... já faz tempo. Mas é isso mesmo. Poesia é vida que não limita nossas atitudes.

Nice poem, John.

Camilla disse...

Ih coitado do jogador, perdeu tudo! E por quase nada. Por medo talvez! Perdeu. E ganhou quem viu o jogo acabar, apesar de lamentado, ganhou quem pediu a próxima mesa e ainda pos a última rodada em palavras tão articuladas. E ganhei eu, que li. Heheh.
Ps. em caso de gripe, xman.
Abraços pra vc, Sr. Policial Escritor.
Camilla Tebet