14 de janeiro de 2008

Uma paródia aos bons textos.

Bem... depois dos últimos acontecimentos, há! todos sabem: fim de ano, retrospectivas, previsões astrológicas e econômicas. Um milhão de coisas que pouco, ou nada mesmo, serão utéis para os dias que ainda virão. Pô! tá difícil conciliar os pensamentos e os desejos, como quase sempre vou acabar mirando no ponto mais improvavel, e a daí me apegar a uma nova paixonite. Mas voltando aos últimos acontecimentos li na bíblia que... Porra! não é isso! a minha cachhorrinha cocker late muito. Assim, toda vez que toca a campanhia saio correndo não só para atender quem chega, como para calar a minha anunciadora de prontidão. Remédios me chegaram, uns comprimidos pra enxaqueca, pílulas azuis e vermelhas, um calendário de brinde, mas nenhuma inspiração poética. Quando entro em casa ouço crianças brincando na rua (mas já é tão tarde!) penso no que eu estou perdendo, o riso, a malícia inocente, e o cansaço da alegria. Mas nem tudo é laço, e nem pião. Os trabalhos são a dadíva dos tempos modernos, corrompem a mente (esta enganadora), e nos aliviam do fardo de sonhar com o belo, com o bom. Estes incansavéis pertubadores da humanidade adormecida. Pra que eles vêm despertar a angústia e o desejo por aquela, Humpf! aquela descarada da Liberdade? Sim, uma descarada que não se permite fixar numa condição estavél, nem de espaço nem de tempo. Seus amantes têm sido poucos, mas como fazem barulho! embriagados por sua natureza, como direi: avassaladora. Mas nisso reside a sua aparente franqueza, os homens preferem cuidadosamente a calma e a mesmice. Vejam só! a campanhia toca, a cadelinha late, eu atendo, pago e agora tomo feliz os comprimidos para dor (que dor é essa, que nem sei onde dói?). Os últimos acontecimentos são tão intensos em sua curiosa repetição, que eu não me toco de perguntar ao rapaz das entregas que pílulas eram aquelas azuis e vermelhas, vejo apenas que são intensas as suas cores, paro não tomo os que seriam para dor (mas que dor seria essa?), e então como criança tomo as duas capsúlas, primeiro a vermelha, depois a azul. Agora não durmo mais, também não estou acordado, só escuto sons que me lembram as crianças, o laço e o pião.

4 comentários:

Zé Ricardo disse...

Sem nenhuma pretensão é só um texto pra brincar, além de encucar os professores com um "n" fora de lugar.

Mattoso disse...

"Os trabalhos são a dadíva dos tempos modernos, corrompem a mente (esta enganadora), e nos aliviam do fardo de sonhar com o belo, com o bom. Estes incansavéis pertubadores da humanidade adormecida. Pra que eles vêm despertar a angústia e o desejo por aquela, Humpf! aquela descarada da Liberdade?"
Também adorei o texto Zé, só não entendi esse "n " aí fora do lugar, talvez porque eu não seja professora rsrsrsrs. Mas essa parte aí que eu recortei do texto reflete justamente como eu me sinto, são tantas coisas que temos que fazer ao mesmo tempo, que seria tão bom ficar com a cabeça só naquilo que queremos, sem preocupações, sem tarefas domésticas super, hiper, chatas de se fazer...mas é a vida..

Alice disse...

Sou professora e também não vi o N fora do lugar. Bom começo, Zé. Gostei bastante das palavras que vc usou... e "conciliar os pensamentos e os desejos" (Zé Ricardo), é impossível dentro da poesia. Já na vida real, conheço gente que consegue o "impossível".

João Neto disse...

Zé, esse lance das crianças brincando na rua me arremessou direto à minha infância, quando brincava na frente de casa com os colegas e não havia nada mais com o que se preocupar, a não ser com o chamado da mãe quando já se passava da hora certa de entrar. Bons tempos...