15 de janeiro de 2008

Poesia e motivo

Se em meu ofício, ou arte severa,
vou labutando, na quietude da noite,
enquanto, à luz cantante de encapelada lua jazem
tantos amantes que entre os braços
as próprias dores vão estreitando
— Não é por pão, nem por ambição,
nem para em palcos de marfim pavonear-me,
trocando encantos, mas pelo simples salário pago
pelo secreto coração deles.

(Dylan Thomas – Tradução de Mário Faustino)

Agora entendo um pouquinho mais sobre os poetas e o seu ofício. Mas o preço, que nunca imaginei, é uma recompensa por demais valiosa, talvez os mortais ainda não saibam mas há um poder emanado do coração que transborda pelo cosmos, para o bem ou para o mal. Um dia, quem sabe, não haverá equilibrio. porém para os poetas isto talvez não seja o mais desejado.

3 comentários:

Zélia Palmeira disse...

Diria que todo coração emana um poder para o bem e para o mal.A medida exata, em cada ocasião, para um ou para o outro é que nos torna bons ou maus.Gostaria de dizer que preferiria ver o dia em não houvesse mais equilíbrio e todo o mundo fosse ,simplesmente,bom mas temo por não saber como seríamos nós,seres humanos,sem temer o mal...

Mattoso disse...

Bom, pensei no labutar desse autor, e ele justificando que não é por pão nem por ambição, mas por um alimento da alma. Acho que é assim que devíamos nos sentir em todas as nossas atividades.

Alice disse...

Como escritora digo que, embora tentemos equilibrar o mundo que há em nós e o mundo que vive aqui fora, não há como não sentirmos ou vivermos dos extremos. Sofremos a dor maior e sorrimos a alegria que a criança mais feliz possa sentir. Não vivemos do equilíbrio e nada tem a ver com escrever a própria vida. Para criar, há a razão, alguém já disse. Mas é uma razão quase sensível e meio fora de si. Ser poeta é um sofrer por sentir demais. Meio Fernando Pessoa, mas creio que essa seja a meia verdade.