20 de abril de 2008

Pular?

(Foto por Little Miss Jackass - Deviantart.com)



Não demoro, volto logo
Ainda é cedo, não há motivo para aflições
Quando for tarde saberemos
Ou, ao menos, deveremos sentir
Veremos folhas mortas caírem em carrossel
Sol se pôr, sem festa e sem beijo de despedida
Mas quero aproveitar o fim da tarde
Quero o sabor da minha infância
Quero o prazer do primeiro olhar, da descoberta
Não serve redescobrir, não é novidade
Serve a panela onde foi feita a cobertura de chocolate
Serve o pé de caju em dia de sol
Serve mar colorido e contar conchinhas na maré vazante
Serve se for eu, se for você, se formos nós
Melhor não pensar muito
Mas é bom ter certeza da altura do tombo
Prudência é saber quão profunda é a água
Depois é só fechar os olhos
Tapar o nariz
E pular?

2 comentários:

Alice disse...

John,

Antes de minhas considerações, a música que foi feita pra você.

Sou um animal sentimental
Me apego facilmente ao que desperta o meu desejo
Tente me obrigar a fazer o que não quero
E você vai logo ver o que acontece
Acho que entendo o que você quis me dizer
Mas existem outras coisas
Consegui meu equilíbrio cortejando a insanidade
Tudo está perdido mas existem possibilidades
Tínhamos a idéia, mas você mudou os planos
Tínhamos um plano, você mudou de idéia
Já passou, já passou - quem sabe outro dia
Antes eu sonhava, agora já não durmo
Quando foi que competimos pela primeira vez?
O que ninguém percebe é o que todo mundo sabe
Não entendo terrorismo, falávamos de amizade
Não estou mais interessado no que sinto
Não acredito em nada além do que duvido
Você espera respostas que eu não tenho
Mas não vou brigar por causa disso
Até penso duas vezes se você quiser ficar
Minha laranjeira verde, por que está tão prateada?
Foi da lua desta noite, do sereno da madrugada
Tenho um sorriso bobo, parecido com soluço
Enquanto o caos segue em frente
Com toda a calma do mundo

(Legião In, Sereníssima)

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Mas voltando ao assunto, seu poema é diálogo. Dúvida e certeza típicos de poesia. Poema que não traz esses signos e amor e também um pouco de dor e outras coisas mais, não faz sentido. E a dúvida - tão bom viver dela e depois viver de novo. Você escreve num carrossel e tenta ser prudente, mas excede no talento. Sou assídua da Livraria João Neto e poema seu, é como música do Chico Buarque pra mim. Tudo certo... Muito medo ou medo algum.

Perfect as you are, John.

Sua amiga - irmã - compatriota - leitora,

Letícia Do Circo
Love you.

Camilla Tebet disse...

Se souber nadar.... por que não??