8 de abril de 2008

Contando os Dias

foto por dvy - deviantart.com


E lá estava eu
Realizando a conta dos meus dias
Somando uns quinhões aqui
Subtraindo outros acolá
Poucas vezes multiplicando
Mas, felizmente, em muitas dividindo
Fiz do ábaco um companheiro
Ponta de lápis e borracha à mão
Fiz planilha
E dela relatório
Porcentagens à parte
Descobri saldo positivo
Algumas contas por pagar
Outras tantas por receber
Não gostei do passivo
Preferi o ativo
Investimentos?
Foram muitos
Nem todos renderam dividendos
Mas alguns resultaram no patrimônio
E deste não me desfaço
Partilho em verso e prosa o que consegui amealhar
Desvelo em linhas o resultado do balanço
Na conta dos meus dias
Depois da prova dos nove
Restou a poesia
Moeda forte que inflação não desvaloriza

3 comentários:

Alice disse...

João,

Fico admirada ao ver seu crescimento como poeta. Palavras tão líricas e bem usadas por você. Fico feliz de dar voltas na lua. Presta atenção no seu discurso:

"E deste não me desfaço
Partilho em verso e prosa o que consegui amealhar
Desvelo em linhas o resultado do balanço
Na conta dos meus dias
Depois da prova dos nove
Restou a poesia
Moeda forte que inflação não desvaloriza."

(João Neto - Poeta e Contador do Tempo)

Discurso fino e bem tratado. Poesia sem falsidade - poesia de quem faz poesia.

Sempre e sempre... parabéns, my dear John. :)

Letícia

Narradora disse...

Depois de toda essa contabilidade, conta saldada. Fico feliz pelo resultado.
Bjs.
Ps: Obrigada pela visita e pelas palavras.

Jacinta disse...

Ei João,
visitando a Alice encontrei seu espaço e aqui estou eu, pela primeira vez. E que bom ver a partilha em verso e prosa e concluir que, de tudo, fica a poesia. Essa companheira que prima pela sensibilidade.
Um abraço
Jacinta