8 de abril de 2008

Cheiro de Dia Ruim

(foto por Quemas - deviantart.com)


Cheiro de dia ruim
Bolor que se esconde e fareja
Chuva caindo intermitente
Frio, solidão, conversa sem sentido
Ansiedade batendo nos calcanhares
Desgosto, pesar e pouco para comer
Fuga, andar em círculos, perder pistas
Lembranças tão vagas quanto a maré
Areia sob os pés, vento afugentando idéias
Relógio soando a hora de Brasília
E eu sei, temos manias estranhas
E conforto na poesia

Cheiro de dia ruim
Há dias assim
Impregnados
Evocativos
Torturantes
Delirantes
Repetitivos
Desconcertantes
E mais do que tudo
Vazios

2 comentários:

Zélia Palmeira disse...

Já dizia minha escritora Alice: "Tem dias"!!! O bom é que nossos dias tem a duração que quisermos que eles tenham.Esse poder é nosso embora não saibamos que o temos ou não saibamos como usá-lo.A chuva me chamou a atenção aqui.Não só em "Cheiro de dia ruim" mas ela tem aparecido,em muitas obras,claro,como uma representação de algo melancólico,sombrio,triste.E aqui,ela tem sido recorrente neste sentido.É lógico que ela pode assumir esse tom,sim!Mas,outra vez,isso depende do olhos que a vêem.Chuva também é vida,alegria,renovação,esperança...

Alice disse...

"Relógio soando a hora de Brasília."

(João Neto)

Esse relógio é o mesmo que traz dia ruim, dia meio ruim, dia meio bom, dia quase perfeito e os dias de verdade. Criação sua esse dia com cheiro de bolor, mas também pode ser criação sua, o dia de vivências plenas. Está tudo em nossas mãos e em nossas vontades.

Citando legião Urbana...

"Sou meu próprio líder: ando em círculos
Me equilibro entre dias e noites
Minha vida toda espera algo de mim
Meio sorriso, meia-lua, toda tarde."

(Legião In, Montanha Mágica)

Nossa vida é essa montanha e sua poesia é "a tarde inteira".

Sempre lendo seus poemas e admirando...

Letícia