1 de fevereiro de 2008

Outro Causo de Polícia

Sim, novamente o texto é verdadeiro do início ao fim...

Harry Houdini, Sua Discípula, um Aparelho Celular e um Par de Chifres

A história está recheada de mágicos que conseguem fazer desaparecer tudo o quanto se possa imaginar. Não imaginava eu que teria o prazer (ou desprazer, conforme você poderá optar mais adiante) de ver algo semelhante acontecer diante dos meus olhos.

Em um belo domingo de sol, lá pelo meio da tarde, surge uma viatura do presídio Flósculo da Nóbrega (que nome hein?), mais conhecido como presídio do Roger. Encosta na frente da delegacia e dela descem agentes penitenciários trazendo consigo uma mulher que fora detida quando da entrada para a visita dominical. Ela estava indo ao encontro do seu namorado levando objetos de praxe, tais como bolo, biscoitos, cigarros e uma outra coisinha a mais, um aparelho celular. O problema, pelos motivos óbvios, foi justamente o celular, pois como todos sabem, não é permitida aos presos a utilização de aparelhos celulares dentro de presídios (temos inúmeros exemplos na mídia do uso criminoso da telefonia celular dentro de prisões – vide a enciclopédia de Fernandinho Beira-Mar para maiores esclarecimentos).

A moça (eufemismo sarcástico elevado à enésima potência) fora barrada na hora da revista a partir de uma informação dada pela ex-namorada do detento, que obviamente estava com ciúmes por haver perdido um partido de tão sublimes qualidades (traficante, homicida e, nas horas vagas, ladrão de automóveis). Aqui cabe uma pausa para a seguinte reflexão: o que um detento tem que eu não tenho? Que aura mágica é essa que faz com que mulheres, a princípio capazes de manter relacionamentos saudáveis e produtivos, busquem relacionamentos bandidos (vide enciclopédia da cantora Simoni para maiores esclarecimentos)? Voltando à história, quando chegou a vez da mulher ser revistada as agentes penitenciárias já sabiam que ela carregava um celular consigo, e sabiam exatamente onde estava. Ganha um doce quem já adivinhou. No bolo? Não. Entre os biscoitos? Não. Disfarçado de cigarro Hollywood? Também não. Isso mesmo que você já deve estar pensando, pacato cidadão, a moça havia feito o aparelho celular sumir dentro de si mesma. E não na frente. Foi atrás!

Você faz idéia do que é ter um celular Samsung Slim, com bateria, enrolado com fita isolante, envolto em uma camisinha, escondido no ânus? Mágicas acontecem... mágicas definitivamente acontecem!

Pensa que ela estava incomodada com o fato? Nem um pouco! Incomodado fiquei eu, que, como sempre tudo de ruim sobra para o escrivão, fui obrigado a abrir aquele pacote revestido de cocô (novo eufemismo sarcástico, desta vez infinitamente elevado a enésima potência), para poder lavrar o auto de apreensão do celular. Mas tinha mais. Não no ânus dela, entenda. Tinha mais complicação para dar contornos de dramalhão mexicano à história.

Poucos minutos depois dela haver chegado à delegacia, surge o seu marido. E a galera vai ao delírio! A moça que foi ao presídio com um celular alojado dentro de si (desligado, vale salientar, para que não incomodasse caso tocasse, conforme ela mesma nos contou), levando-o para o namorado, tinha um marido! Ou seja, ela não faz apenas as coisas sumirem, também faz aparecer protuberâncias "pontudas" na cabeça alheia!

O pior foi ver o cara começar a chorar aos pés do delegado pedindo clemência para a “pobre coitada” de sua esposa. Dizendo que ela era uma “boa moça” (aqui não é eufemismo, é idiotice mesmo), que perdoava ela, que fazia de tudo por ela e blá-blá-blá. Era uma cena que fedia, literalmente, e também deprimia.

A moça, quando ouvida, nos contou que a primeira vez que foi ao presídio tinha sido na companhia de uma amiga, cujo irmão estava preso e o qual veio a se tornar o namorado em questão. Segundo ela, foi “amor à primeira vista”, e desde então passou a freqüentar o local, tanto aos domingos, nas visitas gerais, quanto nos dias de visitas íntimas (baseando-me na anatomia dela, imagino a anatomia dele). Em todas as vezes ela dava desculpas ao marido dizendo que iria na casa da mãe, ou pior, iria na igreja rezar!

Por fim, ela foi autuada. Como o crime é considerado de menor potencial ofensivo, ela apenas assinou um termo de compromisso na delegacia e foi liberada para responder à justiça em liberdade.

O marido a levou para casa repetindo em todo o momento que lhe perdoava a falta.

Quanto a mim, lavei incessantemente as minhas mãos até o fim do plantão e nunca mais toquei num Samsung Slim. Certas coisas provocam traumas irrecuperáveis.

5 comentários:

RenataSantos disse...

QUE BOM LER O SEU COMENTÁRIO!

ESTAREI SEMPRE AQUI LENDO VCS !!!!!

textos lindos demais !!!!!!

Renata Santos

Bird disse...

Valeu pelas visitas.
Gostei muito mesmo dos teus textos.
Abraço

P.S. te linkei lá no blog

Alice disse...

João e seus textos verdadeiros. VC relata tão bem a historia que dá p'ra imaginar a cena. Um belo domingo de sol e tanta coisa estranha acontecendo. O mundo das contradições e penso: As pessoas são muito estranhas.
Espero que outros domingos sejam bem diferentes.

Zélia Palmeira disse...

Credo em cruz!!!

É o que primeiro vem a minha cabeça.Depois,é bom salientar que o celurar era "Slim". Hehehehe!E por fim,acontecem "causos" de polícia envolvendo homens também? :O É que estou,agora, curiosa pra saber que tipo de "cousa" eles fazem.kkkkkk

Ella disse...

João,
Eu estou gargalhando muito!
Vai render horas de conversa em boteco.
Bjs