5 de fevereiro de 2008

A Paisagem

Caiu em sua mão uma daquelas fotografias com uma paisagem espetacular. Exótica, distante, cheia de vida e de cores, cheia de mistérios e de flores, sem legenda. Não esperava, veio na boa surpresa trazida pelo vento que soprava sem destino. Sem destino? Que seja. Chegou ao destinatário correto. Postou-se em suas mãos. Dominou-o e o preencheu de tal avidez insensata que lhe faltaram a respiração e lhe somaram mais batidas no peito que já não cabe mais em si de tanta expectativa. Foi sedução, deu-se conta. E daí? Já estava perdido em sonhos e planos de viagem. Plantou-se o desejo em seu coração e mente. Quer conhecer. Quer ir além e mais adiante. Quer subir, quer descer, entrar e sair, provar, quer demorar-se em todos os lugares, quer tatuar em seu corpo. Quer levar consigo aquilo que já se sabe não poderá tirar do lugar. É uma paisagem, fazer o quê? Tudo bem. Não é egoísta. Outros poderão admirar. Mas ele sabe que, de uma forma estranha, aquela paisagem é só sua, e que ele nasceu para fazer parte dela.

2 comentários:

Alice disse...

Esse texto me fez lembrar de coisas que, na infância, eu desejava ter. Eu as tinha por alguns momentos e depois, não as tinha mais. Um instante feliz e estamos bem, eu acho.

Zélia Palmeira disse...

"Mas ele sabe que, de uma forma estranha, aquela paisagem é só sua, e que ele nasceu para fazer parte dela."

João Neto

De forma estranha, ou não,somos parte de uma paisagem que terá o desenho que nos permitimos fazer...