3 de agosto de 2008

Filminho na Sessão da Tarde

(foto por Disturbed Thoughts - DeviantArt)



É do reflexo que alimento minhas dúvidas

Finjo ser adulto, há muito larguei a infância

Atuo no melhor estilo canastrão

É filme pastelão sonhando ser noir

Roteiro que parece reprise em horário nobre

Mas é produção trash para platéia livre

Inofensivo à carola freira que enrubesce diante do padre

São novidades conhecidas desde o jornal de ontem

Relembro com orgulho minhas melhores interpretações

Convenci minha mãe de que sabia o que queria

Tudo bem, mãe não conta

Elas se interessam por aquelas mentiras sinceras do Cazuza

Sigo na crença de que ninguém nota

Que não há quem recrimine minha teatralidade tosca

Mas é aquela velha história do homem que pensa ser invisível

Ou do rei que está nu

Por onde anda a criança que me revelará a verdade?

Sufocada no cotidiano estéril de dias iguais?

No mais, a direção é fraca e o rumo incerto

Dizem que há um norte

Eu digo que há acomodação de segunda classe

Sem direito a serviço de quarto

Digo que há assento vago na primeira fila

Assim como na última também

Digo que não há platéia que realmente goste

De filme que passa na Sessão da Tarde

3 comentários:

Camilla Tebet disse...

Ah,quem dera todos os reis estivessem nus e todas crianças brincando sem se esconder. Também acreditaram na minha história (menos a minha mãe, mas mãe não vale, como vc disse). Te digo que alguns gostam sim de Sessão da Tarde.. a platéia, meu amigo, é variada, gosto pra tudo. Mas para poeta, muito é pouco. Uma cena só não mostra, um filme só é curto e a vida precisaria ser mais verdade. Aquela verdade que dá prazer viver as 24 horas e não algumas delas colocadas em palavras, que apesar de belas, lamentam.
Bom te ler de volta

Marcia Barbieri disse...

Não só a criança,estamos todos sufocados nos dias estéreis,ou sou pessimista demais??

Abraço
Marcia

Alice disse...

Digo logo que gosto de filme de sessão da tarde e gosto de texto que me faz sentir que não sou a única a me sentir acomodada ou a pessoa que irá procurar a criança que ainda mora em mim.

John,

Você anda diferente. Seu texto mudou de direção. Agora ele me parece ser o homem que sai da ruína sabendo que o tempo muda e pode ser refeito. Seu texto é um homem novo querendo viver do que acredita.

Sempre lendo vc, Dear John.