7 de setembro de 2008

Mergulho de garrafa

Abudefduf_saxatilis_by_Chayan

Eu mergulho e vou ao fundo mar, borbulhas saem da garrafa e quando respiro partem bolhas de ar e os peixes passam por mim nadando nesse aquário cheio de vegetação. Estou bem no fundo do oceano, e através da máscara vejo corais, algas, sargaços e um cardume de peixes migratórios, não tenho medo estou no reino encantado de Netuno, o deus romano dos mares. Navego entre os tentáculos das anêmonas, sobre as estrelas do mar dormindo em um leito de areia sem nada que atrapalhe, e penso no mundo encantado que me encontro, fico feliz, sem nada para explicar, esqueço tudo, só ouço o som do meu suspiro, bem prolongado, uma respiração profunda, semelhante ao suspiro do barril de onde eu retiro o meu vinho.
Fecho os olhos e sonho, um lugar tão lindo, tão tranqüilo, um vale encantado, misterioso, habitado por fadas, sereias e seres imaginários dos contos de carochinha que eu escutava quando criança. No sonho, estou em uma gruta de coral apreciando, admirado, o belo cenário, longe eu enxergo as montanhas que se erguem do leito marinho. Sinto a força da corrente de um rio oceânico. Mais adiante, esse rio se abre como um leque, abrangendo uma largura descomunal, talvez para frear sua corrente que tudo quer levar.

Traduzindo em versos...

Eu mergulho de garrafa
e vou bem ao fundo do mar.
Quando respiro saem bolhas de ar.
Estou no fundo do aquário,
e sonho com o lindo cenário.
Vejo os peixes, e corais.
Mundo habitado por sereias,
que repousam na areia,
do fundo desse santuário.

Fecho os olhos e mergulho,
num lugar tão tranqüilo, encantado,
misterioso, de um vale habitado,
por seres imaginários de meus sonhos,
dos contos dominical,
que eu escutava quando criança.
No sonho, estou em uma gruta de coral
apreciando os cardumes multicores,
que guardo na lembrança.

por Joseph Dalmo (set, 2008)

Um comentário:

Alice disse...

Sempre fico de vir até aqui. Fico feliz que continue com o blog. Todo mundo que escrevia aqui foi se espalhando... como o cardume que você descreveu. Mas a arte continua e eu passarei mais vezes sim.

Você tem o dom de escrever em versos. Eu já não consigo. Prefiro o texto espaçoso. Mas admiro poemas e esse seu, fala da fuga que, hora ou outra, a gente procura. Um lugar, silêncio e nada mais no caminho. Só a poesia mesmo.
Continue escrevendo em versos e em prosa. Passo por aqui e admiro.

Com carinho,


Letícia ( Sua sobrinha de coração )