23 de agosto de 2009

Quebra cabeças


Quebra cabeças

Fui feliz
cantando
sem ser cantor

Fui poeta
Inventei poesias
Misturei tinta no papel

Já fui cenógrafo e fiz cenários
Noite de lua quarto minguante
No fundo o capim sendo
devorado por elefantes

Reinventei o Jonas da baleia
Criei esculturas na areia
Pintei uma gaivota
riscando o céu.

Tudo é arte
A vida é feita de encartes
A realidade é uma poesia
Nas trilhas da vida fiz minha parte.

Joseph Dalmo (jun, 2009)

Imagem: Puzzled_by_lulusoccer

18 de agosto de 2009

Temperando um querer


Busco uma fêmea
Para ser currada
Não vou aliviar nada
Quero tudo e ir a fundo
Quero uma mulher que precise de homem
E não de um moribundo
Que lhe rompa e entre com força
Que a empurra contra o chão
Quero capturar esta corça
Dentro do meu alçapão.
Empurrar até derreter
Machuca-la sem tempero
E sinta dor com meu querer
Quero uma mulher que se abandone
E mate minha fome.

Por Joseph Dalmo (ago, 2009)


Imagem: Luz que aquece e Reconforta a alma - by Guilherme Santos

13 de agosto de 2009

Meu pé de laranja lima


Na casa que eu morava tinha um enorme quintal. Havia várias árvores frutíferas: Um pé de sapoti, goiabeiras, e laranjeiras, mas por uma eu tinha uma grande estima, era um pé da laranja lima, suas folhas tinham um cheiro gostoso que não sei descrever (se é possível descrever o cheiro). Um recanto que não esqueço, era o meu canto preferido, o meu mundo escondido. Uma lembrança que agradeço.
Um dia nasceu das flores da laranjeira umas frutinhas bem verdinhas. Como pode um flor virar bolinha? Pensava eu quando criança! Não tive dúvida, arranquei, uma a uma, para brincar. Anda guardo de lembrança a minha decepção quando minha mãe arrancou da minha mão as minhas laranjeirinhas e ralhou com minha imaturidade.
Mas, por que tanta contrariedade? Por umas pequenas bolinhas?

Joseph Dalmo
Imagem: Orange_by_coronis

9 de agosto de 2009

O strip-tease


















Fecham-se as cortinas
Acendem-se velas...
À meia luz, surge gostosa
uma linda pantera.
Nesse clima, ela se sente bela.
Começa o strip-tease.
Momento que ela
se sente poderosa.

Uma música sensual...Toca.
Lingerie preta, a meia luz
No ar, um clima de sedução
Ela dança enquanto passa a mão
carinhosamente em seu corpo.
Extasiado ele olha - em adoração.

Ela dentro de uma roupa sexy
Vestida para matar
De blusa e saia soltinha,
não há como não arrasar.
Por baixo, veste tanquinha
Em cima, o corselet, combinando
cinta-liga e meia 7/8, bem sexy.

Começa a tirar, devagarzinho,
peça por peça: saia,
blusa, corselet, calcinha.
As ligas, meias pretas...
Por último, o sapato alto,
que modelava as pernas
com muito ressalto.

Finalmente nua, deslumbrante
Excitada, espera o amante
para fazer amor perdidamente.
Este hipnotizado olha para
o seu sexo, como seu horizonte
que ela leva para ele triunfante.

Joseph Dalmo (ago, 2009)

20 de julho de 2009

A tal liberdade

A noite estava muito clara
Vi sobre o telhado
Uma irmandade
de quatro ou cinco gatos
Um gato macilento e pardo
Um perguntava pro outro
O que é liberdade?
O gato preto e rajado
Respondeu com ar de quem sabe
Liberdade meu compadre
Só sabe quem foi escravo
É uma coisa louca que assusta
Pode ser boa ou pode ser a luta
da vida contra o destino
Na liberdade, a gente não toma tino
Já sem liberdade, tudo fica por conta do dono
Isso é verdade disse um gato prateado
Com seu tom falseado
Eu fugi do meu dono, pelos telhados
Vivia na casa de um ricaço
E foi criado com muitos regalos
Eu e outros gataços
Éramos tratados como bichanos
Mas não podíamos sair
De jeito nenhum do palácio
De sorte que cresci e aborreci
Achei melhor viver na rua e sai
Do que ficar na mansão encerrado.

De repente passou silvando
Um tiro disparado
De um quintal por um raivoso soldado
Atônicos e assustados
Saíram em disparada
Depois, confusos e desarranchados
Acabaram se ajuntando
Disse o gato falseado
Por hoje de boa escapamos
E sabe de uma coisa?
Vou voltar para meu amo
Por que de água fria
Tem medo gato escaldado.

Por Joseph Dalmo (jul, 2009)