25 de abril de 2008

Zero Absoluto

Foto por Chamstudio - Deviantart.com


Lá fora
Céu azul
Nuvens brancas como a barba de Deus
Ele tem barba?
Espero que sim, é uma imagem reconfortante
Tomara que também tenha paciência infinita
Vou precisar, um dia...

Lá fora
Dia de sol requentando sonhos
Grama verde, toalha posta no chão
Flores multicores, cesta cheia de guloseimas
Muito zum-zum, muito alarido, gritos infantis
Alguém empinou uma pipa engraçada

Isso é lá fora...

Aqui dentro?
Céu carregado
Silêncio
Neve

Melhor assim...

Zero absoluto
Zero risco

21 de abril de 2008

Silêncio e Estrelas

(Foto por AccessQ, Deviantart.com)


"Em que estrela, amor, o teu riso estará cantando?" [Quintana, in Eu Fiz um Poema]

Não há estrela que me faça cantar como outrora cantei

“E nada vibrou...
Não se ouviu nada...
Nada...
Mas o cristal nunca mais deu o mesmo som.
Cala, amigo...
Cuidado, amiga...
Uma palavra só
Pode tudo perder para sempre...
E é tão puro o silêncio agora!”
[Quintana, in Canção de Vidro]

Façamos então, do silêncio, morada
E nele naveguemos e miremos estrelas
Compremos binóculos...
Para que a estrela mais distante não deixe de ser admirada...
Desejada...
Alcançada!
Fiquemos em silêncio então...
E deitados no chão, na relva e de mãos dadas
Usemos os binóculos e miremos nossos anseios
Guiados por estrelas, seguindo nosso norte
O meu e o seu, talvez o nosso
Talvez...
Empreguemos então, a leveza...
Esqueçamos o habitual, mas sem deixar de colher a cumplicidade...
Sejamos nós mesmos, sem condicionantes!

"As únicas coisas eternas são as nuvens..." [Quitana, in Epígrafe]

Corramos na chuva
Sejamos como crianças
Sonhemos como adultos








Ps.: Outro poema feito a quatro mãos com a Ana Fernandes via MSN (God bless technology), desta feita com inspiração do mestre Quintana (Ok, assim fica fácil fazer poesia, não?). Todos os versos dele foram tirados do blog Eterno Espanto.

Prefiro o Bonde da Lapa


Caminhava pelo centro de minha adorável cidade, João Pessoa, refletindo sobre coisas tão diversas quanto os problemas da segurança pública e o calor infernal dos últimos dias, quando, de repente, sou retirado dos meus devaneios por um cartaz singular que anunciava um espetáculo musical a ser apresentado em breve. Dizia assim: “Bonde do Maluco: O Fenômeno do Arrocha”. Definitivamente nasci na época errada e provavelmente no país errado também. Alguns felizardos podem dizer que viram surgir os primeiros acordes do Blues. Outros tantos podem dizer que acompanharam a gestação e nascimento do Rock’n’Roll. Alguns me dirão que ouviram o Punk Rock chocar ouvidos nos subúrbios britânicos. Muitos ainda se deleitarão em me contar que estavam nas praias do Rio de Janeiro quando a Bossa Nova veio ao mundo em acordes melodiosos de violão. E quanto a mim? Bem... eu posso orgulhosamente dizer que tive o incomensurável prazer de acompanhar o surgimento e queda de vários “fenômenos musicais”. Por exemplo, vi o Axé surgir em rimas suspeitas que falavam dos penteados da nega do cabelo duro e em seguida passaram a falar de mulheres que rebolavam sem parar e tinham predileção por gargalos de garrafa. Em seguida pude me regozijar com a ascensão do pagode romântico pré-fabricado. Eram aquelas bandas, quer dizer, grupos (por que banda é outra coisa) formados com seis ou oito caras legais, cada um fingindo tocar um instrumento, sempre fazendo uma coreografia enquanto falavam de cachaça, chifre ou problema. Pude ver o tradicional som do interior de Goiás ser reduzido ao fenômeno das duplas sertanejas. Era fácil, bastava juntar um cara que cantava pouco com outro que não canta nada (vide Zezé e Luciano para maiores esclarecimentos) e escrever canções que irremediavelmente falavam de, vejam só que criativo, chifre, cachaça e problema. Pude também me deliciar com as bandas de forró elétrico criadas no Ceará. Como bom nordestino que sou, vou dizer apenas que, se tivesse oportunidade, Luiz Gonzaga retornaria do além para passar a faca peixeira em todas essas bandas moderninhas (com nomes esquisitos, vide “Forró dos Plays” e sim, pode gargalhar agora) e transformá-las em picado para cozinhar uma boa buchada! Mas a coisa não pára por aí. Tenho que lembrar do Funk, pois foi ele que me trouxe a estas linhas. O Bonde do Maluco vai passar em minha cidade. Isso me preocupa. Tirem as crianças da sala, tapem os ouvidos, fechem os olhos ou corram o risco de serem “arrochados”. Nós não merecemos mais um fenômeno desses. Certamente alguns me rotularão de velho, chato e resmungão. Posso ser chato e resmungão, inclusive nunca neguei, mas, desculpem-me os moderninhos de plantão, eu não aceito nem que me digam que isso de bonde, seja do Maluco ou do Tigrão, é música, pois não é mesmo. E o que mais posso fazer além de lamentar? Enfim, que fique ao menos registrado este meu lamento. E, apesar de nunca ter estado no Rio de Janeiro, em se tratando de bonde carioca eu prefiro o Bonde da Lapa. Nele há muito mais poesia, elegância, história, beleza e música do que em qualquer outro bonde, seja ele maluco ou são.

20 de abril de 2008

Pular?

(Foto por Little Miss Jackass - Deviantart.com)



Não demoro, volto logo
Ainda é cedo, não há motivo para aflições
Quando for tarde saberemos
Ou, ao menos, deveremos sentir
Veremos folhas mortas caírem em carrossel
Sol se pôr, sem festa e sem beijo de despedida
Mas quero aproveitar o fim da tarde
Quero o sabor da minha infância
Quero o prazer do primeiro olhar, da descoberta
Não serve redescobrir, não é novidade
Serve a panela onde foi feita a cobertura de chocolate
Serve o pé de caju em dia de sol
Serve mar colorido e contar conchinhas na maré vazante
Serve se for eu, se for você, se formos nós
Melhor não pensar muito
Mas é bom ter certeza da altura do tombo
Prudência é saber quão profunda é a água
Depois é só fechar os olhos
Tapar o nariz
E pular?

15 de abril de 2008

Na Cozinha

(Foto por Bongshock - Deviantart.com)

Lágrima e sal e cozinha repleta de receitas
Trazem lenha, sentam-se, tricotam malhas surradas
Café é bom no copo, queima a mão
Brincar com fogo dá azar, melhor bater três vezes na madeira
Provam, mas não conseguem decidir, passou do ponto?
Surpresa, as notícias são antigas e não saem de moda
No forno, mistura para bolo de limão
No pão dormido, mosca que pousa e voa e pousa e voa
Na toalha quadriculada, joga-se xadrez
Rei que, secretamente, deseja se entregar aos braços e abraços da dama
Na face, semblante de esperança requentada, um tanto quanto cansada
Beija-se boca, esconde-se a alma
Ela quer a métrica que completa sua poesia
Não vê a hora de vestir-se de brincos e brincar de Lady Godiva
Fornada pronta de biscoitos chineses da fortuna
Hoje você encontrará o seu grande amor
Amanhã você fará uma viagem para um país distante
Sua cor da sorte é azul e não use alianças
Não terás sorte com elas, seja em que mão for
Tarde passa, noite chega, pouco é dito
Perguntas deixam de ser feitas, respostas não são desejadas
Penumbra na cozinha, fogo que se apaga
Mas há brasa
E basta apenas uma...