19 de julho de 2009

O Soberano infeliz

















O soberano infeliz

Num país distante havia um rei muito rico que se julgava a tudo superior e tinha o mundo inteiro aos seus pés. Possuía muito ouro, prata, e esplendor. Seus súditos o amavam ou temiam. O país era um Reino de Quimeras onde o aroma das flores recendia nas suas eternas primaveras.

Só o rei vivia em perene tristeza, era uma melancolia sua vida e a satisfação dos seus menores desejos fazia-lhe um estranho mal. Sua alma vivia perdida, como um barco num temporal. Tudo era tentado para agradar o soberano, tudo inútil, tudo insano.

Um dia chegou à corte a fama de um sábio santo franciscano que poderia curar o soberano. Foram envidados mensageiros para trazer o monge a qualquer preço para ver o rei.
A cidade engalanou-se em festas para recepcionar o venerado frade, mas para a decepção da multidão o frei era baixinho, e mirrado, mesmo assim o frei foi levado a presença de sua majestade.
Na sala coberta de prata e dourados entrou o pobre franciscano. O rei esperava-o lasso e desanimado, enfadado e alheio e amargurado. O rei escutou seus conselhos. Ele disse:
- Ó rei, o lazer, o prazer não é bastante para ti, a satisfação de teus menores desejos é o que te deixa infeliz e distante. Desce de teu trono, ó majestade, vai conhecer um verme rastejando, vai conhecer a dor ou insanidade, vai ver um faminto mendigando ou os desgraçados implorarem compaixões. Tu tens sede de sofrimento, sede da verdade, depois, então saberás apreciar as belezas, das imperfeitas perfeições de teu país e alcançará a felicidade.
Lembre-se quem nunca sofreu nunca saberá o que é bem-estar. Uma coisa inexiste sem outra, o preto sem o branco, é o avesso e o direito se inteirando, são dois sentimentos antagônicos se completando.
No fim das palavras do franciscano, um milagre aconteceu! Finalmente o rei descobriu a causa de sua infelicidade.
Então, sorriu...gargalhou e morreu.

Joseph Dalmo (jul, 2009)

Imagem: King_by_SnowSka

24 de junho de 2009

Apelo afrito

Foto: olhares


Apelo Aflito

Curvas femininas
Misteriosa e sensuais
Um apelo para o amor
Pétalas de flor

Seus olhos
Lágrimas apago
Com um sopro
De um mago

Aflito admiro
Derrapo nas curvas
Dos seios
E suspiro

No centro
Umbigo
Começo do mistério
Antigo

No regaço
Os dedos
Percorrem
O traço

Em baixo da calça
O púbis veludo
Liso e Suave
Tudo.

Por Joseph Dalmo (jun, 2009)

5 de junho de 2009

Chá de Morango

Imagem: Strawberry Kiss by jerry matchett

Fruto vermelho de morango
se deseja nos lábios
Ele oscula

Macio como morango
se deseja na face
Ele invade

Chá espesso de morango
se deseja provar
Ele jorra

Flor silvestre de morango
se deseja na boca
Ele come.

3 de junho de 2009

O Veleiro


O veleiro singra o mar revolto
Em uma noite infernal
O mar agitado quer
engolir tudo afinal.
Os marinheiros taciturnos
procuram lutar sem futuro,
seja heróis, ou marujos obscuros
não conseguem vencer Netuno.

O mar como o fim do mundo
não para nem um segundo
pra os homens respirarem.
No fim o veleiro sangra
Águas enchem o porão
Rasgam-se as velas
Quebram-se os mastros
E uma força inumana
estremece a embarcação.
Homens no mar, sem sorte.
Suas carnes o oceano clama
as trevas escuras reclamam a morte
.


por Joseph Dalmo (maio, 2009)

2 de junho de 2009

Último adeus

Letícia lendo sua crônica em que você fala de forma lírica da morte (Rotineira) me inspirei para retratá-la em versos (posso?).
Você quando decide exuberar, não tem pra ninguém...
Beijão.

Último adeus

a gente morre de repente
quase displicente
flor ardente
volta para o chão
não assiste mais televisão
não se apronta mais
não escreve Hakais
a memória congela
o corpo revela
não se fala mal
na hora do funeral

ausência dobrada
lar partido
página virada
falta sentido
uma vida inteira
e num instante, poeira
e num minuto, adeus...
e tudo continua
o mundo não liga, é ateu.

Por Joseph Dalmo (jun,2009)