15 de abril de 2008

Na Cozinha

(Foto por Bongshock - Deviantart.com)

Lágrima e sal e cozinha repleta de receitas
Trazem lenha, sentam-se, tricotam malhas surradas
Café é bom no copo, queima a mão
Brincar com fogo dá azar, melhor bater três vezes na madeira
Provam, mas não conseguem decidir, passou do ponto?
Surpresa, as notícias são antigas e não saem de moda
No forno, mistura para bolo de limão
No pão dormido, mosca que pousa e voa e pousa e voa
Na toalha quadriculada, joga-se xadrez
Rei que, secretamente, deseja se entregar aos braços e abraços da dama
Na face, semblante de esperança requentada, um tanto quanto cansada
Beija-se boca, esconde-se a alma
Ela quer a métrica que completa sua poesia
Não vê a hora de vestir-se de brincos e brincar de Lady Godiva
Fornada pronta de biscoitos chineses da fortuna
Hoje você encontrará o seu grande amor
Amanhã você fará uma viagem para um país distante
Sua cor da sorte é azul e não use alianças
Não terás sorte com elas, seja em que mão for
Tarde passa, noite chega, pouco é dito
Perguntas deixam de ser feitas, respostas não são desejadas
Penumbra na cozinha, fogo que se apaga
Mas há brasa
E basta apenas uma...

13 de abril de 2008

Para Dias Frios

(Foto por Shoops - Deviantart.com)


Só falta o edredom...
O vinho...
E o alguém.
A chuva já veio
E parece-me que a chuva esse ano vai ser mais longa e o frio mais intenso...



Ps.: Poeminha feito a quatro mãos via MSN. Duas minhas, duas da Ana. Gracias Buena Niña, o Pulga fica feliz por sua colaboração...

11 de abril de 2008

Coragem, Coração e Cérebro

(foto por jonukwho - deviantart.com)


Construo caminhos com meus próprios tijolos de ouro. De tolo, claro... Mas é fabricação própria, não devo a ninguém. Quanto ao mágico, se aposentou há tempos. O encanto se foi junto com ele, e por isso a lua não é mais feita de queijo e estrelas cadentes não realizam mais desejos. Já a bruxa má resolveu expandir os horizontes, terceirizou alguns serviços e abriu franquias, conseguindo chegar aos quatro pontos cardeais. É isso, a bruxa está solta e eu aqui preso em tergiversações sem sentido. Mas a busca continua a mesma. Procura-se coragem, coração e cérebro. Assim, os três ao mesmo tempo. Não serve em doses homeopáticas dadas de seis em seis horas. Tem que ser aplicado direto na veia e em dose única. E antes que você sugira, também não aceito em forma de supositório. Ando tendo alucinações. Ou não? Ainda ontem o Ming, aquele mesmo, O Impiedoso, bateu à minha porta e foi logo dizendo que vinha buscar a minha alma. Negociei com ele e ofereci em troca um par de chicletes Buballoo, uma fita do Senhor do Bonfim e um clipe enferrujado. Ele não quis, os chicletes não eram de uva. Apelei para o seu bom senso. Sua tarefa não era coletar almas, e sim tirar a paciência do Flash Gordon, ou seria o contrário? Por fim, viu que não valeria a pena, havia almas mais interessantes para tomar. Respirei aliviado, apesar da desfeita, e me comprometi em comprar uns chicletes de uva para necessidades futuras. Ponho casaco em dia de calor. Ando nu quando faz frio. Tomo remédio sem receita. Faço poesia quando quero fazer prosa. Cumpro promessa que não fiz e faço chá das minhas demências. Eu sei. É muita confusão e papo sem sentido. Mas é que, desde então, há um vazio muito grande. E como não sei mais o que fazer para ocupar esse vazio, preencho-o com qualquer idéia que me ocorra. Onde está a Dorothy? Onde está a minha coragem, meu coração e meu cérebro?

10 de abril de 2008

Grãos de Areia

foto por Strange - deviantart.com


Teimo em catar grãos de areia
Apenas para vê-los escorrendo entre meus dedos
E pouco me importa, torno a catá-los novamente
Teimo em catar grãos de areia...
Já vi esse filme, tem gosto de ranço
Tem sabor de teimosia ingrata e de mau gosto
Há outro tipo de teimosia?
Gravito ao redor igual satélite cortejando o sol
Mil desculpas antes de dormir
E promessas tão fugazes quanto um orgasmo
Ouço vozes admoestando quanto ao juízo final
Abro uma cerveja
Gostaria de acender um cigarro
Dou de ombros, finjo seguir adiante
E já me disseram
Você se revela em suas poesias
Mas, ora bolas, de que me servem elas então?
Sondo minha alma, exponho no mercado
Grita o feirante e me asperge água
Gesticula oferecendo grãos de areia que me fogem dos dedos
E na minha boca morre o verbo que não quero conjugar
E não é apenas por teimosia
É medo e coisas que não sei contar

8 de abril de 2008

Contando os Dias

foto por dvy - deviantart.com


E lá estava eu
Realizando a conta dos meus dias
Somando uns quinhões aqui
Subtraindo outros acolá
Poucas vezes multiplicando
Mas, felizmente, em muitas dividindo
Fiz do ábaco um companheiro
Ponta de lápis e borracha à mão
Fiz planilha
E dela relatório
Porcentagens à parte
Descobri saldo positivo
Algumas contas por pagar
Outras tantas por receber
Não gostei do passivo
Preferi o ativo
Investimentos?
Foram muitos
Nem todos renderam dividendos
Mas alguns resultaram no patrimônio
E deste não me desfaço
Partilho em verso e prosa o que consegui amealhar
Desvelo em linhas o resultado do balanço
Na conta dos meus dias
Depois da prova dos nove
Restou a poesia
Moeda forte que inflação não desvaloriza