8 de abril de 2008

Cheiro de Dia Ruim

(foto por Quemas - deviantart.com)


Cheiro de dia ruim
Bolor que se esconde e fareja
Chuva caindo intermitente
Frio, solidão, conversa sem sentido
Ansiedade batendo nos calcanhares
Desgosto, pesar e pouco para comer
Fuga, andar em círculos, perder pistas
Lembranças tão vagas quanto a maré
Areia sob os pés, vento afugentando idéias
Relógio soando a hora de Brasília
E eu sei, temos manias estranhas
E conforto na poesia

Cheiro de dia ruim
Há dias assim
Impregnados
Evocativos
Torturantes
Delirantes
Repetitivos
Desconcertantes
E mais do que tudo
Vazios

6 de abril de 2008

Tempo




"O Tempo corre e a Vida escorre."


Eveline Alvarez

Coisas do Pessoa

"Eu tenho uma espécie de dever , de dever de sonhar,
de sonhar sempre,
pois sendo mais do que
um espectador de mim mesmo,
Eu tenho que ter o melhor espetáculo que posso.
E assim me construo a ouro e sedas,
em salas supostas , invento palco , cenário para viver o meu sonho
entre luzes brandas e músicas invisíveis."

Fernando Pessoa

Quantos palcos vivemos inventando? Quanta poesia deixamos de viver?

E. Alvarez

Noite Com Chuva

(foto por Red Fraction - deviantart.com)


Hoje, a noite não quer calar
A chuva lá fora
Compõe uma sinfonia triste
Letra e música da tua ausência.
Em noites como essa,
Tua ausência é ainda mais presente
Insistindo em se propagar
E permanecer.
Como que por impulso
Desejo que sintas o mesmo
Estás dormindo? Estás sentindo?
Perguntas sem respostas...
Noite com chuva
Silêncio de sentimentos
Vontade de você
O amanhã como recompensa.

Por ANA FERNANDES

Hoje é aniversário de Ana Fernandes, amiga e recém descoberta poetisa. Sofre do mesmo mal de outros tantos, esconde seus poemas e tem reticências em publicá-los. Mandou-me este, o resto da história está aqui. Poemas não devem ser escondidos. E, apesar da estação haver mudado, a sintonia não se perdeu. Feliz aniversário, um beijo e um sorriso!

Não Precisava Ser Assim

Ela vem
Mas não há aviso
Por vezes é benção, noutras maldição
Alívio para alguns
Preço a ser cobrado para outros
A morte...
É assim
Hoje vive-se
Amanhã, quem sabe?
E, de tanta vida que tinha, não soube o que fazer
Perdeu-se entre os encantos de sua própria falta de virtude
Buscou e não achou
Foi amado, reconheceu, mas recusou
Táxi para a estação lunar todos os dias
Alma boa, pensamento torto
Criança querendo colo
Luta, em alguns dias
Em outros, entrega
Por fim
Desistiu...
E entre tantos jazigos
Grandes e pequenos e suntuosos e simples
Ocorreu-me o seguinte
Ela é assim, vem para todos
Mas não precisa ser buscada
Não precisa ser dolorosa
Não precisa ser em vão
Não precisa ser tão cedo, apenas trinta...
E agora é só o vazio das palavras não ditas
Esperança de haver algo além
Desejo de rever o sorriso solto
E esperança não é a última que morre
A morte não a alcança



(Foto por Eddie Ferla - deviantart.com)



Essa é uma pequena homenagem a um primo meu, Adriano. Viveu tão intensamente que se consumiu em chamas antes mesmo de saber o que a vida realmente era. Mas, afinal, quem sabe? E, apesar do pouco contato nos últimos anos, fará falta. É injusto morrer tão cedo e de forma tão tola.