Ela vem
Mas não há aviso
Por vezes é benção, noutras maldição
Alívio para alguns
Preço a ser cobrado para outros
A morte...
É assim
Hoje vive-se
Amanhã, quem sabe?
E, de tanta vida que tinha, não soube o que fazer
Perdeu-se entre os encantos de sua própria falta de virtude
Buscou e não achou
Foi amado, reconheceu, mas recusou
Táxi para a estação lunar todos os dias
Alma boa, pensamento torto
Criança querendo colo
Luta, em alguns dias
Em outros, entrega
Por fim
Desistiu...
E entre tantos jazigos
Grandes e pequenos e suntuosos e simples
Ocorreu-me o seguinte
Ela é assim, vem para todos
Mas não precisa ser buscada
Não precisa ser dolorosa
Não precisa ser em vão
Não precisa ser tão cedo, apenas trinta...
E agora é só o vazio das palavras não ditas
Esperança de haver algo além
Desejo de rever o sorriso solto
E esperança não é a última que morre
A morte não a alcança

(Foto por Eddie Ferla - deviantart.com)
Essa é uma pequena homenagem a um primo meu, Adriano. Viveu tão intensamente que se consumiu em chamas antes mesmo de saber o que a vida realmente era. Mas, afinal, quem sabe? E, apesar do pouco contato nos últimos anos, fará falta. É injusto morrer tão cedo e de forma tão tola.